Musa


 


Musa


Nos momentos de intenso rubor,

quando a paixão cala forte no meu peito,

esses versos saem meio que sem jeito,

de um coração machucado de amor.


No cansaço da solidão,

na busca de uma nova paixão,

encontro nesta pena o exílio

que me salvará deste martírio

que magoa, oprime e causa profunda emoção.


Haverá nestas lindas paragens

uma musa formosa e encantada

que, desdenhando a sorte, por nada de mim saber,

rumará em busca do norte

e me fará reviver a plenitude?


Ou será que o errado sou eu?

Que por zelo, preguiça ou capricho

transformo a data em que a conheci

em número pra jogar no bicho,

e vacilo em não cortejá-la

por minha falta de atitude?


Será que a musa que me encanta,

ao ler meus versos, se espanta

e na singeleza da sua pureza se esconde?


Ou será que pega o telefone

e, num ímpeto, liga pro meu número

e me convida pra lhe encontrar?


E agora? Posso falar?

Fiquei tão assustado ao receber um chamado

assim tão inusitado

que até esqueci de falar:

— Tá bom. Me fala aonde!!


MM

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