Casa Japonesa
Casa Japonesa
Era uma vez, numa longínqua cidade paulista, uma dupla de moleques bem travessos. Um deles tinha 77 anos e o outro, 90. Mas nem aparentavam essa idade.
Num desses dias perdidos no calendário, o mais velho convidou o mais novo para fazer uma farra na Casa Japonesa, lá numa cidade a 70 quilômetros de distância dali.
O mais velho explicou ao mais novo que estava escolhendo exatamente aquele lugar porque, a 70 quilômetros de distância, certamente não haveriam testemunhas. Assim, eles poderiam se divertir à vontade, sem causar maiores problemas.
O mais engraçado dessa história toda, porém, não é o que aconteceu na Casa Japonesa, mas sim o que aconteceu depois no estacionamento.
O carro do amigo mais velho é um desses automóveis modernos que não precisa de chave, basta você estar com ela perto e então conversar tratando o carro por um nome que você batiza quando compra. Dá para contar piadas, fazer perguntas, tratar de questões domésticas e até pedir uma análise do signo astrológico!
Esses carros são maravilhosos! Basta você falar:
— José Paulo, por favor, acenda os faróis.
E pronto!
Então, na saída da Casa Jaoonesa, esses dois amigos se aproximaram do carro passaram a falar "José Paulo, destrave"! por mais de meia hora. Gritaram de tudo quanto era jeito, mas nada de o carro destravar!
Até que, num determinado momento, apareceu um outro casal saindo da Casa Japonesa, se aproximou dos amigos ...
e abriu aquele automóvel dizendo "Renato, destrave!
Foi então que os amigos descobriram a verdade: José Paulo era o nome de um outro carro que estava estacionado ali há uns 50 metros dali!
Naturalmente, com aquela barulheira toda de um estacionamento aberto, o verdadeiro José Paulo não ouviu o clamor dos amigos, que gritavam:
— Zé Paulo! José Paulo! Paulinho! Zezinho! Amoreco!
E qualquer outra traquitana que você possa imaginar foi dita para aquele carro magnífico!
Quando finalmente os amigos se aproximaram do verdadeiro carro e disseram “José Paulo, destrave”, ele abriu todas as quatro portas e o porta-malas.
E sabem por quê o porta-malas?
Porque José Paulo, o carro inteligente, sabia muito bem que seu dono, antes de ir para a Casa Japonesa, havia feito compras num supermercado ali vizinho.
MM
