Retalho para bolso
Retalho para bolso
Outro dia, numa lanchonete, eu ouvi um diálogo assim:
— Menina, que modos são esses? Gritando assim no ônibus?
— Mano, vem cá: 1 x 0 em cima do Peixe, É NÓIS, GENTE!
— Eu não sabia que você era do Mosqueteiro.
— Não era, mas na minha classe só tem gato... entende?
— Mulher, você não presta nem para retalho de bolso.
— RETALHO PARA BOLSO?
O que seria mesmo retalho pra bolso?
Nunca ouvi falar, nem li, nem caiu em vestibular, nem aparece em palavras cruzadas.
— Sabe aqueles pedaços de pano que sobram na casa da costureira e ela usa para fazer coisas que ficam dentro da roupa, como bolsos, bainhas, reforço de colarinho e tal?
— Sei sim. A Dona Inês tem um sacão cheio deles. Sexta-feira eu fui lá para pegar uns para a festa de São João. Vou costurar como joelheira numa calça para pular a fogueira.
— Esses mesmos. Então, quando uma pessoa "não presta nem para retalho de bolso", é porque não presta para nada.
— Menina, você sempre foi muito gentil e amiga, Como é que eu vivi até hoje sem saber disso?
Nessa hora, aparece o garçom com a conta.
— Mano, paga para mim? Eu esqueci a carteira na outra bolsa!
— Peraí, por que EU devo pagar a SUA conta?
— Simples: porque eu sempre sou muito gentil e amiga!
E a lanchonete em peso recita em jogral:
— MENINA, VOCÊ NÃO PRESTA NEM PARA RETALHO DE BOLSO!
MM

