Picadinho de letras


 


Picadinho de letras


Hoje lembrei da mania de um grande amigo dos tempos da Conselheiro Crispiniano.

O cara tinha uma mania: num caderno espiral tamanho A5 com 200 folhas, ele anotava tudo o que tinha que fazer no dia - cada coisa numa folha. Numa folha uma coisa, na outra folha outra. Nunca duas coisas numa mesma folha.

No final do dia esse cara fazia a maior maluquice que eu conheci, vai vendo.

As coisas que ele tinha feito, ele arrancava a folha e deixava num canto.

Relia todas as folhas do dia pra ter certeza que não esqueceu de nada, se não arrancou o que não tinha que arrancar e tal. Se tivesse arrancado alguma que não devia, colava de novo com durex.

Depois, algumas dessas folhas arrancadas ele picava que dava pena de ver, bem miudinho, chegava a doer do dedo de tão pequeno que eram os pedaços.

MAS, algumas outras folhas ele não picava, apenas amassava bem, muito bem, cuidadosamente bem.

Tudo isso ele jogava no lixo: as picadas e as amassadas. As amassadas por último, ficavam em cima de todo o lixo do dia.


Eu sei disso porque a sala dele ficava lá na saída e era passagem pra uma parada de lei prum café e depois pra partir pra saideira num boteco qualquer da noite Paulista.

- Cara, explica aí, já que você joga tudo no lixo, por que umas você quase que moi e outras você só amassa.

Você que tá lendo, senta pra não cair.


- É que essas que eu só amassei, talvez eu precise rever ...


MM

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