Éramos tão ingênuos
Éramos tão ingênuos
Grande Marquinhos,
Lendo você hoje, lembrei-me de uma noite qualquer, lá por 2005, na sala dos professores da FIAP.
Naquela ocasião, encontraram um punhado de dólares na cueca de um político que atravessava o aeroporto.
Naqueles tempos, éramos jovens calorosos — eu, inclusive — e, inflamados, gritávamos palavras de ordem. Dizíamos, cheios de esperança:
"Agora, sim, o Brasil vai se endireitar!"
Passados mais de 20 anos, o país assistiu a tantos outros escândalos, e a prejuízos tão maiores aos cofres públicos, que aqueles dólares na cueca de um político acabaram reduzidos à condição de mera curiosidade histórica.
Uma das provas mais contundentes disso surgiu em 2014, com aquilo que ficou conhecido como Operação Lava Jato.
Para aqueles jovens inflamados da FIAP, parecia que, finalmente, o país havia decidido enfrentar a corrupção. Parecia que a impunidade estava com os dias contados.
Mas a história mostrou que o enredo era muito mais longo do que imaginávamos.
E, em 2025, o país foi novamente sacudido pelo Caso Banco Master, mostrando que esse livro, infelizmente, ainda estava longe de chegar ao último capítulo.
Para que este texto não se transforme no penúltimo capítulo de um livro interminável — que, muito provavelmente, escreveremos a quatro mãos —, encerro aqui com uma simples reflexão:
Este velho professor de matemática diria que, se, neste caso, a recíproca também for verdadeira...
...tudo acabará em pizza.
Infelizmente, será apenas mais uma pena!
MM

